Zé Coco do Riachão: o mestre da viola que levou a cultura do sertão mineiro para o mundoJosé dos Reis Barbosa dos Santos, conhecido nacionalmente como Zé Coco do Riachão, nasceu em 1912, na localidade de Riachão, região situada às margens do rio de mesmo nome, na confluência dos municípios de Mirabela e Brasília de Minas. Desde muito cedo, sua vida esteve ligada à música e às tradições populares do sertão norte-mineiro.Filho de um fazedor e tocador de violas, começou a aprender o instrumento ainda criança. Aos oito anos já tocava e também construía suas próprias violas. Além da música, trabalhou como marceneiro, carpinteiro, ferreiro, sapateiro e artesão, mas foi a excelência na fabricação e na execução de instrumentos como viola, violão, cavaquinho e rabeca que o transformou em referência da cultura popular brasileira.Sua trajetória artística começou nas Folias de Reis, tradição religiosa presente em sua família. O reconhecimento nacional veio a partir de 1980, quando lançou seus primeiros discos com apoio do produtor cultural Téo Azevedo e do jornalista Carlos Felipe. A crítica especializada recebeu seu trabalho como uma das mais autênticas manifestações da música popular brasileira.Entre suas maiores características estava a impressionante técnica de tocar viola, realizando simultaneamente o solo e o acompanhamento, habilidade que despertou admiração entre músicos e pesquisadores. O terceiro álbum, “Vôo das Garças”, consolidou ainda mais seu nome entre os grandes violeiros do país.Autodidata e de poucas palavras, Zé Coco nunca aprendeu a ler ou escrever. Mesmo assim, tornou-se mestre da viola caipira e deixou discípulos em diversos estados brasileiros. Muitas de suas composições se perderam por nunca terem sido registradas, tornando seu legado ainda mais valioso para a preservação da cultura popular.Seu talento ultrapassou fronteiras. Em um documentário produzido na Alemanha, recebeu o apelido de “Beethoven do Sertão”, reconhecimento que simboliza a grandeza de sua contribuição para a música brasileira. Após sua morte, em 1998, sua obra continuou sendo valorizada por importantes projetos dedicados à viola caipira, mantendo viva a memória de um dos maiores artistas do Norte de Minas Gerais.
Zé Coco do Riachão: o mestre da viola que levou a cultura do sertão mineiro para o mundo










