João Antônio Alves de Almeida, José Antônio Mendes, Plácido da Silva Maia e Pedro Ferreira de Aquino aparecem nos registros históricos ligados às terras onde começou a formação do povoado que deu origem a Mirabela. Mas quanto sabemos, de fato, sobre esses quatro homens?
Antes de Mirabela ser município, antes mesmo de receber esse nome, existia um pequeno núcleo às margens do Córrego Brejinho.
Por volta de 1882, segundo o histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia no local apenas um simples rancho de capim, onde tropeiros que viajavam em direção a Montes Claros ou Januária paravam para descansar e descarregar seus animais.
É nesse cenário que aparecem quatro nomes que estão entre os primeiros registros ligados à formação da atual Mirabela:
João Antônio Alves de Almeida
José Antônio Mendes
Plácido da Silva Maia
Pedro Ferreira de Aquino
Quatro fazendeiros e o início do povoado
O histórico oficial do IBGE registra que as terras pertenciam aos quatro fazendeiros. Segundo o mesmo documento, eles mandaram construir uma pequena capela dedicada a São Sebastião, doando a área destinada ao patrimônio do santo.
Foi ao redor dessa capela que começou a formação do povoado.
A história posteriormente ficaria conhecida na região como a “Terra do Santo”, expressão relacionada à doação das terras destinadas ao patrimônio de São Sebastião.
Mas existe uma diferença importante entre saber como o povoado começou e conhecer a história pessoal dos homens ligados a esse começo.
E é justamente aí que a pesquisa histórica encontra seus limites.
A doação de 1899
Segundo reportagem publicada pelo Estado de Minas em 2019, a área onde se formou o núcleo urbano foi doada a São Sebastião em 1899, por quatro fazendeiros devotos do santo.
A doação teria sido registrada em cartório de Brasília de Minas, nominalmente em favor de São Sebastião. A mesma reportagem identifica os quatro doadores como João Antônio Alves de Almeida, José Antônio Mendes, Plácido da Silva Maia e Pedro Ferreira de Aquino.
A reportagem também reproduz parte do conteúdo do documento de doação e informa que o professor de História Leonardo Almeida Santos pesquisou a origem da chamada “Terra do Santo”.
De acordo com a reportagem, Leonardo Santos é tetraneto de João Antônio Alves de Almeida.
Uma informação importante
Isso não significa que o povoado tenha surgido somente em 1899.
O próprio histórico do IBGE registra o início da formação do núcleo por volta de 1882. A data de 1899 está relacionada à formalização da doação das terras destinadas ao patrimônio de São Sebastião.
Essa diferença é fundamental para compreender corretamente a história de Mirabela.
Quem eram esses quatro homens?
É aqui que surgem as maiores perguntas.
Sabemos os nomes.
Sabemos que as fontes históricas os apresentam como fazendeiros ligados às terras onde começou a formação do povoado.
Sabemos da relação deles com a construção da capela dedicada a São Sebastião e com a doação do patrimônio do santo.
Também sabemos que existe uma ligação familiar posteriormente identificada entre João Antônio Alves de Almeida e o pesquisador Leonardo Almeida Santos.
Mas e os outros três?
Quem era José Antônio Mendes?
Quem era Plácido da Silva Maia?
Quem era Pedro Ferreira de Aquino?
Quais eram suas famílias?
Onde estavam exatamente suas propriedades?
Quantos filhos tiveram?
Quais foram suas trajetórias?
Quem foram seus descendentes?
Essas são perguntas para as quais ainda não encontramos documentação pública suficientemente segura para apresentar respostas definitivas.
E é justamente nesse ponto que uma pesquisa histórica precisa ter cuidado.
Onde o documento não responde, a história não inventa
Seria fácil criar quatro retratos, imaginar suas roupas, inventar suas personalidades ou preencher as lacunas com informações que parecem plausíveis.
Mas isso não seria preservar a história de Mirabela.
Seria criar uma história que os documentos não comprovam.
Por isso, nesta pesquisa, o Portal Mirabela adota um princípio:
Onde o documento não responde, a história não inventa.
O que está documentado, nós contamos.
O que ainda não conseguimos comprovar, apresentamos como pergunta.
E talvez essas perguntas sejam justamente o ponto de partida para novas descobertas.
A “Terra do Santo” ganhou repercussão décadas depois
A história das terras de São Sebastião continuou fazendo parte da vida de Mirabela muito tempo depois da formação do povoado.
Em 1972, a revista O Cruzeiro publicou uma reportagem sobre Mirabela com o título “Esta cidade pertence a São Sebastião”. O registro bibliográfico da edição nº 23, de 7 de junho de 1972, confirma a presença da matéria sobre Mirabela.
Décadas haviam se passado desde a formação do primeiro núcleo.
O povoado havia crescido, mudado de nome e avançado em seu processo de formação administrativa.
Mas a história das terras destinadas a São Sebastião continuava sendo uma parte importante da memória da cidade.
De Buriti a Mirabela
A história oficial registrada pelo IBGE mostra que o local inicialmente recebeu o nome de Buriti.
Posteriormente, os moradores passaram a utilizar o nome Bela Vista, relacionado à localização do povoado.
Em 1943, o distrito passou a se chamar Mirabela.
Anos depois, pela Lei Estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, Mirabela foi elevada à categoria de município, com instalação em 1º de março de 1963.
Assim, entre o pequeno rancho às margens do Córrego Brejinho e o município que conhecemos hoje, existe uma longa trajetória.
E nela aparecem, logo nos primeiros capítulos, quatro nomes:
João Antônio Alves de Almeida.
José Antônio Mendes.
Plácido da Silva Maia.
Pedro Ferreira de Aquino.
Quatro nomes, muitas perguntas
Eles não construíram sozinhos a Mirabela que conhecemos hoje.
A cidade foi formada ao longo de muitas décadas pela participação de inúmeras famílias, trabalhadores, moradores e gerações que deram vida ao território.
Mas esses quatro homens aparecem ligados às primeiras terras e ao processo inicial de formação do povoado registrado pelas fontes históricas.
E justamente por isso suas histórias merecem ser investigadas.
O que já sabemos é apenas uma parte.
Talvez existam fotografias antigas guardadas por famílias de Mirabela.
Talvez existam cartas, escrituras, registros religiosos, documentos de compra e venda, certidões ou outros papéis que ajudem a reconstruir essas trajetórias.
Talvez uma dessas peças esteja guardada há décadas dentro de uma gaveta, em um álbum de família ou no arquivo de algum antigo morador.
A pesquisa continua
A história de Mirabela não está completamente escrita.
E talvez esse seja um dos aspectos mais fascinantes de pesquisar a história de uma cidade: perceber que, mesmo depois de tantos anos, ainda existem perguntas esperando por documentos capazes de respondê-las.
Quem eram, de verdade, os quatro homens ligados ao início dessa história?
Quais eram suas famílias?
Onde estavam suas propriedades?
Quem foram seus descendentes?
E quantos documentos ainda existem esperando para revelar novos capítulos?
A pesquisa continua.
Porque conhecer Mirabela também é procurar aqueles que vieram antes de nós.
Portal Mirabela — Conhecer a nossa história é também entender quem somos.
🔎 Fontes e referências
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE: histórico oficial de Mirabela, com informações sobre o início do povoado por volta de 1882, Córrego Brejinho, tropeiros, os quatro fazendeiros, capela de São Sebastião e mudanças de denominação.
- Estado de Minas — Luiz Ribeiro, 29 de julho de 2019: reportagem sobre a “Terra do Santo”, a doação de 1899, os quatro fazendeiros e a pesquisa de Leonardo Almeida Santos.
- Revista O Cruzeiro — nº 23, 7 de junho de 1972: registro bibliográfico da reportagem “Mirabela/MG: Esta cidade pertence a São Sebastião”.
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